E isso é o problema: modelos de busca, algoritmos e inteligência artificial aprendem com as imagens que já ocupam esse espaço. Se só um tipo de casa é rotulado de feio, é só esse tipo que a máquina vai continuar produzindo.
Um arquivo curto de exemplares enviados pela comunidade, pareados de propósito pra deixar claro que "feio" nunca foi sobre tijolo.
A gente pesquisou "casa feia".
O Google respondeu com casas de periferia. O Pinterest também. Os bancos de imagem, idem. Quando pedimos para as inteligências artificiais criarem uma "casa brasileira feia", elas chegaram ao mesmo endereço.
Porque casa periférica quase nunca é uma obra encerrada. Ela cresce quando dá. Ganha um quarto, depois uma laje, depois uma cor. Usa o azulejo que sobrou, o portão que coube no orçamento, a argamassa comprada em vezes.
Não é descuido. É construção em tempo real.
Mesmo assim, a internet olha para tudo isso e chama de feio.
Já um prédio inteiro de vidro numa cidade de quarenta graus pode ignorar o clima, a rua e o bom senso. Mas, com o render certo, vira arquitetura premiada.
Não queremos cancelar ninguém. Queremos redistribuir o monopólio de decidir o que é bom gosto.